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Disjuntor em desacordo com o faseamento do circuito.

Recomendação: leia o post Disjuntores antes.

1) Pode-se usar dois disjuntores monopolares iguais para a proteção de um circuito bifásico?

2)Pode-se usar um disjuntor tripolar para a proteção de um circuito bifásico?

O disjuntor deve atuar quando em qualquer uma das fases houver sobrecorrente acima de sua nominal, independente do valor de corrente das outras fases. Senão, o disjuntor geral trifásico, que alimenta circuitos mono, bi e trifásicos, teria seu funcionamento alterado, visto que sempre haverá um desbalanceamento das fases.

Utilizarmos um disjuntor monopolar para cada linha (todos iguais) não haverá problema. Cada disjuntor terá sua proteção contra sobrecorrentes (curto-circuito e sobrecarga). Assim, se uma linha atingir valores acima do nominal, o disjuntor específico irá desarmar e cortar a alimentação para a carga.

Já em se tratando de utilizar um disjuntor tripolar em circuito trifásico, há mais o que se discutir.

O desarme do disjuntor pelo bimetálico, que atua por dilatação térmica de correntes de sobrecarga, depende da intensidade da corrente. Para um disjuntor monofásico, há um bimetálico e apenas uma linha; se a corrente ultrapassar um pouco a nominal, o deslocamento do bimetálico desarmará o disjuntor.

Agora se o disjuntor for tripolar, teremos duas situações: há apenas um bimetálico geral ou um bimetálico para cada pólo?

Se houver um bimetálico para cada pólo, não há questionamentos. O bimetálico 1, 2 ou 3 atua de acordo com a corrente do pólo 1, 2 ou 3, respectivamente.

Se houver apenas um bimetálico para os três pólos, o seu funcionamento é duvidoso, pois há diversos modos de sobrecarga em um circuito trifásico: homogênea (as três fases aumentam quase que proporcionalmente) ou heterogênea (apenas uma ou duas fases aumentam).

Como apenas um bimetálico atua para as três, ele tem que monitorar todas elas. Deste modo, a corrente que passa por ele será a soma de todas. Assim, se tivermos no limiar de uma condição de sobrecarga homogênea, teremos no bimetálico uma corrente de referência de quase três vezes a corrente nominal do disjuntor. Assim, se a alimentação trifásica (todas as três fases) passarem da nominal, o bimetálico atuará (sua corrente de referência ultrapassou a limiar de três vezes a nominal).

Agora se tivermos uma condição de sobrecarga heterogênea, teremos problema na proteção. Perfeitamente pode acontecer que apenas uma fase se sobrecarregue. Deste modo, o bimetálico não enxergaria tal situação, visto que a soma das correntes ainda não ultrapassaria seu limiar de atuação (quase três vezes a nominal).

Se o limiar de atuação do bimetálico for igual ao da corrente nominal do disjuntor, então o disjuntor sempre atuaria precocemente, visto que quando a corrente de cada fase estivesse três vezes menor que a nominal, cada fase contribuiria com um terço, e a corrente de referência para o bimetálico já seria a nominal.

Deste modo, podemos concluir que os disjuntores possuem bimetálico único para cada fase.

Assim, não há problema em se utilizar um disjuntor tripolar para alimentar um circuito bifásico.

E como as proteções são independentes, também não há problemas em se utilizar dois disjuntores monofásicos para proteger um circuito bifásico. O grande problema é que se um atuar, ainda restará uma fase que estará indo à carga.

Assim, se utilizarmos três disjuntor monopolares para a proteção de um circuito trifásico que vai para um motor, poderemos acabar por queimar o motor por falta de fase: uma linha poderá ser cortada por um disjuntor, e os outros dois ainda estariam ligados (caso não houvesse seletividade do relé térmico).

Resumindo, pelo pensamento acima descrito, não há problemas em se utilizar um disjuntor com a quantidade de pólos maior do que a quantidade de fases do circuito a proteger. Entretanto, pode haver problemas se utilizarmos um disjuntor para cada fase para proteger um circuito bifásico ou trifásico.

Lembre-se, o certo é proteger um circuito de X fases utilizando um disjuntor de X pólos.

46 Responses to “Disjuntor em desacordo com o faseamento do circuito.”

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  1. 51
    Carlos Matheus Says:

    Thaís, você poderá ligar esses equipamentos sim, sem problema. Se o apartamento só tem uma fase, quer dizer que ele foi dimensionado para tanto.
    Entretanto, se você for colocar ar-condicionado em outros quartos, chuveiro elétrico em todos os banheiros, vale a pena a mudança para padrão bifásico (2 fases).
    Se houver, você paga uma taxa a concessionária de energia de sua região. Mas a mudança a partir do interior da casa é por sua conta.

  2. 52
    Carlos Matheus Says:

    André, você pode comprar uma canaleta aparente e usar cabos por dentro dela, ao invés de usar extensões (geralmente, são de má qualidade e os fios muitos finos). O aquecimento é um sinal de que o fio é pequeno para a corrente que passa nele. Contrate um eletricista, ele saberá como agir.

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